OUT THERE

FROM THIS CHAIR

Veit Stratmann

 

30.10 - 10.11 [12h - 17h]

 > Café Ceuta

 

 

Desde esta cadeira

Desde à alguns anos até agora que penso em uma sequência Paul Auster/Wayne Wang/Harvey Wang Movie BLUE IN THE FACE, onde o dono da loja da esquina Augie Wren mostra imagens da esquina da sua rua, ele toma cada manhã como uma espécie de ritual para pagar indirectamente uma câmara fotográfica que havia roubado alguns anos antes.

E eu estou muito interessado na questão, quem nas artes visuais, detém a autoridade para o tempo despendido na presença de um trabalho artístico ou na sua produção.

Assim eu pensei, como sendo parte da presença no Café Ceuta, seria uma experiência de todos os dias nas mesmas horas, no mesmo intervalo, de 10 a 15 minutos, uma imagem desde o mesmo local na mesma mesa desde o mesmo ângulo com o mesmo protocolo. As imagens devem ser captadas frontamente desde a minha cadeira, desde a altura da mesa, como que um retorno ao espaço como uma meia vendo desde o nível de onde as pessoas em geral olham para e não desde; para criar uma espécie de camada central, que normalmente é o palco, o café como espaço de discussão mas não o seu resultado. Eu acho que as imagens que daí resultarão estarão fora de contexto no contexto – uma camada materializada entre dois vazios.

Ao mesmo tempo, o ritmo é somente uma questão técnica de arbitrio, um protocolo sem nenhuma aparente directa ligação com as actividades no café, uma espécie de temporalidade que se empareda a ela mesma entre as urgências e o abrandamento que constituem o lugar.

Não faço ideia o que irá sera o resultado, mas sera certamente curioso de analisar.

Não sei se é um trabalho artístico ou algo feito por um artista

A duração de 10/15, existe porque tenho como intenção habitar o espaço do café  e ver se outra qualquer “aventura” que não posso prever, acontece.

 

 

DEEP LISTENING

Winnie HO (Superhova) & Samuel Draper

 

06.11 - 12.11 

> Praça D. João I & Praça S. Lázaro

 

O que acontece quando alguém fica a olhar um pouco mais? Para ver o todo, expandindo, incluindo, saudar, entender e partilhar espaço co o humano e não humano que habita o espaço: pessoa, cimento, árvore, céu, semáforos, pombo, mosca. A dupla propõe-se a trabalhar com respeitosa vadiagem e escuta profunda como práticas que sintonizam os sentidos através de respostas empáticas, e de examinação da clássica questão iludida de improvisação e modo de acção em performance em espaços públicos. “O que é que o sitio necessita?” – é menos sobre imposição é mais sobre a material de espaera e revelação, tornando-se  - a dançar com uma planta mentalemnte. 

HERE & NOW

Hamish Fulton

 

12.11 - 16.11 [ 13h30 - 16h ]

> Praça D. João I

 

As minhas caminhadas compartilhadas e públicas podem envolver envolver um número de participantes de 15 a 350.

As localizações destas caminhadas são escolhidas a partir do ambiente urbano existente, como por exemplo parques de estacionamento, pontes, passeios e ruas para pedestres.

Esta categoria de caminhada não tem qualquer propósito sendo a intenção a partilha de uma experiência.

O participante que caminha é também o observador da obra de arte.

FLAG STICHTING

Claudia Hill

 

13.11 - 17.11 11h30-13h30 & 14h30-16h30 ]

> espaço público &  Mala Voadora 

 

Neste laboratório colectivo partimos do entusiasmo partilhado em torno do têxtil, composição e comunicação somática.

Vamos trabalhar como um colectivo com roupas que nos pertencem, fizeram parte de nós, ou que encontramos como rastos de história e do tempo.

Durante uma semana, vamos investigar diversas metodologias de trabalho.

A/s bandeira/s são criadas com a intenção de enviar sinais ou rastos visuais.

O PAVÃO CANTA, A PANTERA APROXIMA-SE

Rui Catalão

 

14.11 - 17.11 [ 17h - 19h & 21h - 23h ]

> Café Ceuta

 

Poucas semanas antes de morrer, Eric Dolphy deu um concerto em que apresentou um tema inédito: “The madrig sings, the panther walks”. Nunca consegui perceber o que significava “madrig”, mas o trio de músicos holandeses que acompanhou Dolphy em Hilversum aproximou-me do enigma: perto da sala onde eles ensaiavam, havia um parque com pavões. Amante do canto dos pássaros, cujo som reproduzia ou estilizava na sua música, Dolphy nunca tinha ouvido pavões e ficou fascinado: todos os dias procurava comunicar com eles, imitando-lhes o canto.

A imitação dos pássaros, no entanto, é só uma contigência mágica na sua música. O interesse estava no diálogo. Ou melhor: na conversa. Fosse a conversa com pássaros ou com alguns dos músicos mais apaixonantes da sua época (Charlie Mingus, John Coltrane, Ornette Coleman, a lista é muito longa, apesar de Dolphy ter morrido aos 36 anos).

A ideia que Dolphy fazia da palavra “conversa” ia além das palavras: o acto de “falar com”, mais os seus momentos de escuta, de troca rápida de palavras, de interrupções, de monólogos, de perguntas e interjeições, para ele era um jogo musical.

Não é impunemente que um dos seus discos mais marcantes tenha por título “Out there” – é do lado de fora que surgem os sons, o canto, as vozes. Sem “lá fora” não existe como criar um mundo “cá dentro”. O trânsito entre dois mundos pode fazer-se de muitas maneiras e todas as maneiras podem caber na palavra “conversa” (“Conversations foi o título de outro disco de Eric Dolphy).

 

Quando a Ana Rocha me convidou para participar no programa de “Out there” eu andava a ouvir “Out there” de Eric Dolphy e apercebi-me que apesar de escutá-lo há tantos anos nunca tinha identificado o aspecto mais crucial da sua música: a conversa. Dias depois, a Ana propôs-me trabalhar numa sala de jogos no Porto e a minha memória disparou para os meus anos de adolescente, em que passava todas as tardes, depois das aulas, a jogar bilhar. E sempre com o mesmo adversário! 

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